Terça-feira, 28 de Novembro de 2006

Mário Cesariny

Em todas as ruas te encontro
Em todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto, tão perto, tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura
 
Em todas as ruas te encontro
Em todas as ruas te perco
publicado por RB às 00:28
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Domingo, 26 de Novembro de 2006

...

foto do Olhares.com

O Vento na Ilha

O vento é um cavalo:
ouve como ele corre
pelo mar, pelo céu.

Quer me levar: escuta
como ele corre o mundo
para levar-me longe.

Esconde-me em teus braços
por esta noite erma,
enquanto a chuva rompe
contra o mar e a terra
sua boca inumerável.

Escuta como o vento
me chama galopando
para levar-me longe.

Como tua fronte na minha,
tua boca em minha boca,
atados nossos corpos
ao amor que nos queima,
deixa que o vento passe
sem que possa levar-me.

Deixa que o vento corra
coroado de espuma,
que me chame e me busque
galopando na sombra,
enquanto eu, protegido
sob teus grandes olhos,
por esta noite só
descansarei, meu amor.

 

Pablo Neruda

 

publicado por RB às 00:19
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Sexta-feira, 24 de Novembro de 2006

O sonho comanda a vida...

Rómulo de Carvalho, foi professor, pedagogo, cientista e investigador.

Publicou diversos livros de divulgação científica, assim como livros escolares especializados, nomeadamente na área da matemática.  

 

Mas  Rómulo de Carvalho foi, também, um grande poeta. Usou o pseudónimo de António Gedeão.

 

É, hoje, comemorado o centenário do seu nascimento.

 

Quem não se lembra dos poemas “A Pedra Filosofal” ou “Lágrima de Preta”?

 

Eles não sabem que o sonho
é uma constante da vida
tão concreta e definida
como outra coisa qualquer,
como esta pedra cinzenta
em que me sento e descanso,
como este ribeiro manso,
em serenos sobressaltos
como estes pinheiros altos

que em verde e ouro se agitam
como estas aves que gritam
em bebedeiras de azul.

Eles não sabem que o sonho
é vinho, é espuma. é fermento,
bichinho alacre e sedento.
de focinho pontiagudo,
que fossa através de tudo
num perpétuo movimento.

Eles não sabem que o sonho
é tela, é cor, é pincel,
base, fuste, capitel.
arco em ogiva, vitral,
pináculo de catedral,
contraponto, sinfonia,
máscara grega, magia,
que é retorta de alquimista,
mapa do mundo distante,
rosa dos ventos, Infante,
caravela quinhentista,
que é Cabo da Boa Esperança,
ouro, canela, marfim,
florete de espadachim,
bastidor, passo de dança.,
Colombina e Arlequim,
passarola voadora,
para-raios, locomotiva,
barco de proa festiva,
alto-forno, geradora,
cisão do átomo, radar,
ultra som televisão
desembarque em foguetão
na superfície lunar.

Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida.
Que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre a mãos de uma criança.

 Pedra Filosofal (António Gedeão)

 

 

publicado por RB às 21:22
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Terça-feira, 21 de Novembro de 2006

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publicado por RB às 23:41
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Amigo

Mal nos conhecemos

Inaugurámos a palavra «amigo».

 

«Amigo» é um sorriso

De boca em boca,

Um olhar bem limpo,

Uma casa, mesmo modesta, que se oferece,

Um coração pronto a pulsar

Na nossa mão!

 

«Amigo» (recordam-se, vocês aí,

Escrupulosos detritos?)

«Amigo» é o contrário de inimigo!

«Amigo» é o erro corrigido,

 

Não o erro perseguido, explorado,

É a verdade partilhada, praticada.

 

«Amigo» é a solidão derrotada!

 

«Amigo» é uma grande tarefa,

Um trabalho sem fim,

Um espaço útil, um tempo fértil,

«Amigo» vai ser, é já uma grande festa!

 

Alexandre O’Neill, in No Reino da Dinamarca

publicado por RB às 23:35
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Quinta-feira, 16 de Novembro de 2006

"O Amor o que é?"

publicado por RB às 23:15
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Quinta-feira, 9 de Novembro de 2006

No teu poema

 

No teu poema
existe um verso em branco e sem medida,

um corpo que respira,
um céu aberto,
janela debruçada para a vida.

No teu poema
existe a dor calada lá no fundo,
o passo da coragem em casa escura,
e aberta, uma varanda para o mundo.

Existe a noite,
o riso e a voz refeita à luz do dia,
a festa da Senhora da Agonia
e o cansaço do corpo que adormece em cama fria.

Existe um rio,
a sina de quem nasce fraco ou forte,
o risco, a raiva e a luta de quem cai ou que resiste,
que vence ou adormece antes da morte.

No teu poema
existe o grito e o eco da metralha,
a dor que sei de cor mas não recito
e os sonhos inquietos de quem falha.

No teu poema
existe um canto chão alentejano,
a rua e o pregão de uma varina
e um barco assoprado a todo o pano.

Existe um rio
o canto em vozes juntas, vozes certas
Canção de uma só letra e um só destino
a embarcar no cais da nova nau das descobertas

Existe um rio,
a sina de quem nasce fraco ou forte,
o risco, a raiva e a luta de quem cai ou que resiste,
que vence ou adormece antes da morte

No teu poema
existe a esperança acesa atrás do muro,
existe tudo o mais que ainda escapa
e um verso em branco à espera de futuro.

Versos de José Luís Tinoco já interpretados, de uma forma magnífica, por várias vozes (Carlos do Carmo, Dulce Pontes, Mafalda Arnauth...)

publicado por RB às 23:39
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Finalmente um dia de sol....

publicado por RB às 15:43
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Segunda-feira, 6 de Novembro de 2006

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publicado por RB às 00:11
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Sexta-feira, 3 de Novembro de 2006

Bom fim-de-semana

Ainda que o tempo não esteja lá grande coisa, divirtam-se o mais que puderem. Aproveitem para "espairecer", passear e se o tempo não o permitir, porque não uma ida ao ginásio (???). Aceitem a sugestão deste simpático camelo que parece estar  numa sessãozinha de ginástica localizada: "bossa direita para baixo...bossa direita para cima... etc....um...dois..um...dois...

Será o "Areias" ??? Que saudades daquela cantiguinha "O Areias é um camelo, tem duas bossas e muito pêlo...."

 

Bom fim-de-semana

publicado por RB às 15:58
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